
Mesmo que você diga não gostar,
ache meloso demais, com certeza
é impossível negar a importância
Vou retornar ao tema que passeia por lembrar que Roberto teve importância até para música cristã. Década de 70,80 e parte de 90 a música católica já tinha seus cantores, cantoras e bandas, porém, sem tanta inserção nos veículos de comunicação mais populares. Claro, tínhamos Padre Zezinho, Agnus Dei e muitos outros. O problema é que a música era restrita as missas e encontros específicos. Roberto Carlos conseguia quebrar essa barreira. Entre jovens tardes de domingo e calhembeques tinha uma canção falando de Deus. Nossa Senhora, Jesus Cristo, Aleluia, etc.
Talvez, apesar de ter quase certeza que sim, muitos podem dizer que ele cantava era música secular. Falava de ser terrível, café da manhã e de estar amando a namoradinha de um amigo. Tudo bem, a verdade é “verdadeira” e não quero mudar isso. Contudo, acho importante lembrar que em visitas do Papa João Paulo II realizadas a países da America Latina, não somente o Brasil, músicas de Roberto Carlos foram executadas, com adesão das vozes dos fieis que aguardavam o pontífice. “Amigo” era uma das mais tocadas, especialmente no México e América Central durante a passagem do Papa.
Enfim, cada um tem sua visão sobre o fato, sendo que o intuito não é defender as canções de Roberto Carlos. Apenas quero lembrar que no meio secular muitas canções falando de Deus também nascem, mas, às vezes, o nosso sentimento de fariseu acaba jogando essas músicas para escanteio. Sinceramente, não acho que devem ser tocadas em missas ou grupos de orações. O que não compreendo é o motivo de polêmica quando um cantor católico, em um show, coloca no repertório alguma delas. Recordo as ladainhas que escutei quando Padre Fábio de Melo cantou Luz Divina. Pronto, cheguei ao ponto que desejava. Será que queremos ser donos de Deus e mostrar ao mundo que somente em nosso meio existem pessoas dignas dele? Nasce o risco de sermos fariseus. Confesso que uma das canções que mais gosto é “Todos Estão Surdos”.
“Um dia o ar se encheu de amor
E em todo o seu esplendor as vozes cantaram.
Seu canto ecoou pelos campos
Subiu as montanhas e chegou ao universo
E uma estrela brilhou mostrando o caminho
“Glória a Deus nas alturas
E paz na Terra aos homens de boa vontade”
Trecho da Canção Todos Estão Surdos
Precisamos olhar o lado teológico e outros detalhes para não cairmos no relativismo. Porém, se a Igreja é a barca de Pedro levando os homens para Deus, melhor é acolher os corações, que na sua maneira de ser (sem relativismo) procuram uma experiência com o Amor Dele. A Igreja é como coração de Mãe, de Maria, sempre tem espaço para mais um, para mais uma multidão de filhos.
Alexandre Aguiar
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